Colaboradores: Jardim de Infância

Pisar na terra.

Terra me dá a sensação de estar num imenso jardim de infância, onde tudo é mistério, é nova a sensação.

As vezes me sinto meio Eva, sem pecados na pura ação de obediência as Leis da Natureza MÃE e que me pega pela mão e me guia, me conforta, me pôe nos braços e me leva a sala de aula e de lá me "vigia", atenta a cada choro ou confusão.

E fico feito criança, sempre a lhe espreitar pelas janelas da sala de aula, fico a dividir a atenção entre ela e a professora, que deve se chamar Maria das Graças, e fico me perguntando por que não usa roupas como aquelas de palhaço se faz graças.

E na banca da escola, começo a sonhar, com uma escola que se parece com essa, só que nessa dos meus sonhos era um jardim de infância também, só que era diferente...

Lá não havia bancos, apenas o chão onde sentávamos a olhar a professora, que com leves gestos nos ensinava, cantava, contava, e nos levava a observar a Natureza a nossa volta.

E como todas as meninas, era nela que me espelhava, queria um dia poder ser como Ela.

Não lembro se no meu sonho tinha nome.

Era a sua beleza e harmonia que a todas encantava, se pudesse dar um nome certamente seria Maria.

Pois era meio assim como A Mãe que hoje me alivia, e me põe nos braços, Mãe Maria das Graças.

E sentávamos a seu redor, roupinhas coloridas, olhinhos ansiosos de tudo aprender...

E se chorava por não poder ver a mãe que em confiança a sós nos deixavam pra aprender, era ela quem nos consolava,... nos punha no colo, um ou dois até três por vez em seus joelhos, que parecia que choro contagiava.

Saudade de casa.

E apontava o céu, as borboletas e os pássaros, as árvores, seus ninhos nos acalentava.

- Não, pra que chorar?

E enxugava as lágrimas com suas mãos. Eram sempre as mãos que mais me chamavam a atenção, pareciam plumas, leves asas em ação..

- Chorar aqui não, logo virão, pra que chorar?

- E por ser bem pequenina não sabia explicar a aflição, apenas garganta presa com os punhos cerrados batia no coração.

- Mas nas horas de alegria, quando no jardim nos confundia ela dizia, misturados as flores não sei qual de vocês, crianças ou flores perfuma mais, e eu sorria ao imaginar que ela nos confundia com flores ou às vezes borboletas.

Borboletas de todas as cores, rosas, azuis, a verde borboleta quase não se notava, pois segundo ela se mimetizava, era arte delas, além de ajudarem a levar o pólen de flor em flor.

E ficava a pensar como um bichinho tão lindo podia ter vindo de um inseto tão feioso.....

E ao lhe perguntar ela dizia, é outra arte da natureza: O se transformar, nem sempre por lhe parecer feio é feia sua ação..

E aquilo ficava, e pensava e se não compreendia ela sorria e dizia: - Lembre sempre o que importa é a ação, às vezes parece feio, mas faz parte da comunhão, e aquilo ficava, era mais uma lição.

Borboletas pareciam quadros que se aqui às vezes é negro, lá eram verdes, como agora aqui alguns são.

E já maiores, com o giz branco se escreviam as razões, a razão.

E aos poucos crianças suspendíamos as lágrimas, e no olhar a consolação..

Era o consolo a ação.

E se chovia, ela nos fazia ouvir os pingos da água da chuva como melodia.

- Prestem atenção, fechando os olhos melhor sentirão a doce harmonia dos pingos de chuva a cair no chão.

Às vezes me pareciam como leves pés a pisarem o chão, passos lentos e as vezes não.

Lembro que meu pai colocava uma latinha debaixo de sua janela e seu som em noites de chuva era pura alegria, acho que por isso hoje a amo tanto, me lembra a harmonia que tinha, o som da sinfonia de gotas de chuva a tocarem na latinha no chão.

E quando o sol ressurgia e tudo brilhava ainda mais a nossa volta, até porque as gotas do orvalho seu brilho refletia e tudo o mais coloria, nas folhas, flores, e a terra úmida era mais fácil de cavar e brincar de fazer panelinhas, tigelinhas, e aprendíamos a nela plantar, pequenas mudas que nos davam e era nossa responsabilidade aquelas plantadinhas por nós cuidar e cultivar, aguar e ao mesmo tempo em que cresciam, crescíamos com elas.

Mas era das aulas de dança que mais gostava.

- Lembrem dos pingos da chuva, passos lentos, pequenos pés a pisarem o jardim e o brilho de sol a nos dar o calor, lá, lá.

E aprendíamos os passos da dança.

- Ouçam o som, ritmo do coração, movimentos suaves, mãos pra cima estiradas Lá, Lá, Lá, Lá.

E ouvia o som que repetia: Tá,Tá, Tá,Tá.

E movimentando levemente o corpo seguia: Lá, Lá, Lá, Lá.

Tá, Tá, Tá, Tá.

E no braço esquerdo o círculo pra cima e riamos e brincávamos, magia da chuva, encanto, e quando era sol e chovia a chuva era dourada, assim a nós parecia : Chuva dourada, risos, só risos, não a conhecíamos assim não..

E se nos distraíamos com voz suave nos chamava atenção: Esquerda a mão, Lá, Lá, Lá, Lá, e na direita, Tá, Tá, Tá, Tá.

Bailarinas seguem o ritmo do coração, clareiam o que restou da antiga razão.

E é sorrisos e calor e corpinhos suados que se vê e o ritmo a seguir: Lá, Lá, Lá, Lá, Tá, Tá, Tá, Tá.

- Mãos se juntam a frente, altura, freqüência coração e baixando a cabeça, a respiração não esqueçam não.

No baixar a cabeça a reverenciação.

- E ao descer, mãos soltas para trás, outro movimento se faz com cada mão, assim em baixo como em cima.

E a direita erguíamos pra cima, circulação, rodam, giram em leves movimentos seguindo o som do coração.

- O ritmo não esqueçam não: Rá, Tá, Tá, Lá, Tá, Tá.

- Rá, Rá.

- Lá, Lá.

- Tá, Tá.

- Consonantação.

- Constelação.

- Lá, Cá, Tá, Tá.

- Rá, Cá, Fá, Fá.

- Tá, Tá, Tá, Tá, não esqueçam a noção, ritimação.

- Rá, Tá, Tá, Tá.

- Lá, Lá, Lá, Tá.

- Rá, Rá, Tá, Tá.

- Cá, Rá, Lá, Tá.

- E na descida a translação, não, não, medo não, o medo de soltar o corpo lhes tirariam o equilíbrio, lembrem de soltar a respiração.

- Não, não, não, não, receio não, positiva ação.

- ENTREGA Ação..

- E na entrega A Grande Mãe Dá Proteção.

- E na emoção, força vida, saudade Lá, Cá, Tá, Rá.

- Tecido fino a Mãe teceu, a espera dos filhos que há tanto tempo perdeu, Cá, Lá, Fá, Fá.

- E nos pés a dourada visão!

- Calor, coração, sentimento Rosa ação!

- E na entrega à Mãe Há proteção.

- Pés a frente e atrás, caminhem, caminhem, movimento vida, frente, cima.

- Pés movimentos pra frente.

- Mãos: Alto, lado, aberto, atrás, à frente sem serem presos, movimentos asas, acima, abaixo, som coração!

- Ação, Amor, aqui, Lá, lembranças atrás que prendem e entristecem não!

- Fá, Fá, Fá, Fá.

- Rá, Tá, Tá, Tá.

- Fá, Rá, Tá, Lá, Cá.

- Risos, coração!

- Soltem a canção...

- Suave ação!

- O Ritmo, esqueçam não.

- Suave é a transformação quando a ação é coração!

- Começa assim: Sinto, Sinto, Sentir sentimento de Amor aos Irmãos! O Lilás cobre Ação, A Mãe Dá proteção.

- Brilho, Brilham, Brilharão.

- Esqueçam não, no ritmo batida do coração a dança, suave ação, corpos que se movem docemente, soltam o perfume do coração e encantam e na subida movimentos lentos, respiração, sensação coração.

Lentos, soltos soltarão, não esqueçam não.

Suaves Mãos, Ação.

Nas mãos que se unem a frente, oração.

Suaves pés a pisarem o chão, aveia alimenta, Mãe Coração.

Fogo Lilás queima, arde, muda, transmuta.

Nova Era Ação, Geração!

E é no meio do sonho que me desperta o sino, e já é hora do recreio, olhando em volta sinto indo embora a visão, a professora é tão bonita, e olhando pra mim sinto que sabe que gosto de dormir, sonhar, como todas as crianças.

E me pergunto se não era com ela que sonhava?

Professora, você sabe dançar?

E sorrindo me responde: - Sei sim você quer aprender?

E como num encanto, magia, sei lá, começa a chover.

-É fácil você vai ver, se quiser posso te ensinar, começa assim: Olhe pros meus pés, siga os passos, as mãos acompanham, sinta seus pés bem firmes no chão...

E se no sonho eram as mãos que seguia, que me chamavam a atenção, aqui acordada, com os pés no chão, são eles que dão o ritmo e em comunhão com as mãos se faz a ação, ritmação.

Pés e mãos em perfeita sincronia seguem o ritmo das batidas do coração, e dos pingos da chuva por certo que caem no chão.

E me vem o som antigo dos seus pingos a caírem, debaixo da janela dos meus pais: Cá, Lá, Tá, Tá. Rá......

Autora: Mohan.

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